quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Desbotando_____***


Eu amarrei as bordas dos teus pensamentos ardentes, cortei a linha com os dentes e sorri.

Nas noites que te tenho pelas metades, permeio as minúcias do teu querer e solto meus embustes para te fazer crer. Mas és incrédulo baby, e o não fantasiar te adorna feito cor que não é para ser, por quê sempre desbotas e esconde-te da luz? te cairia bem uma fotossíntese, precisas arrancar as facas do teu peito e fazer uma poda. Parece insano, mas meus olhos ficam turvos quando não te reconheço no gozo desprendido de culpa.

Não me peça para pensar, meus pensamentos já me consomem em demasia.

Eu não te prendo, sabe por quê?

Adoro voar, e não costumo levar ninguém comigo.

Eu mesma cosi as minhas asas, e só nelas confio.


Imagem colhida no google.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Pálido Novembro


No penúltimo dia de Outubro já conseguia visualizar a palidez de Novembro. As folhas que voaram do caderno deixado em cima da mesa da cozinha, por onde andariam?
Os calos nas cordas vocais eram irreversíveis, gritara por ajuda noites a fio. Nenhum tear, nenhum dedal, o manequim desaparecera. A crueldade humana chega ao ponto de tirarem até o que não tem vida, mas que fazia uma diferença estranha nas noites em que vagava pelo atelier decadente. Ele era seu único companheiro. Quantas vezes chorou e confessou o que jamais ousaria nem para sua imagem no espelho? Ele a entendia, não criticava, o olhar era sempre terno.
O terno que usava, ela mesma o fizera, numa dessas noites em que a melhor companhia merecia um regalo.
Dentre tantas perdas, perdê-lo, doeu alfinetadas.
Dentre tantas saudades, a dele, era tesouradas.
Dentre tantos Novembros, aquele pereceria numa palidez alterada.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Rascunho exacerbado



A efervescência que emana dos meus poros, ébano do meu âmago.Um fio delgado produzido pela lagarta que me habita seda-me.As minhas intransigências cercam meus sentidos em forma de prisma decompondo a luz que reflete os meus anseios.Invento cores em nuances extravagantes, o exagero é o ápice do prazer e da dor, eu dôo por natureza e o meu êxtase também é nato.Vejo fraquezas de forma natural, a minha fortaleza está além dos tombos que levo por merecer.Não pratico jogos de azar, olho nos olhos e confesso através dos momentos e não dos tormentos. Minha inquisição é clara, mas nem todos podem ver.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Ré confessa


E então aquele moreno, cabelos longos chegou. Mas chegou chegando mesmo, não quero dizer com isso que o cara me parou, eu é que parei na do cara. As frases dele pareciam ter um ponto final, e eu disse na lata, sou cara de madeira. Os homens inteligentes sempre tem a resposta certa, retrucou dizendo que as minhas tinham reticências. È que tentei fazer você desvendar o restante baby. Haven’t you got it?
Naquela noite eu era ré, não confesso se primária. Deixemos as culpas no jardim, elas não cabem em você, muito menos em mim. Confessei meus delitos cometidos em momentos de aluamento e determinação entranhados nas minhas várias faces de ver a lua. Até pensei - poderia ser tua. Mas meus momentos passam rápido se você não se mostra. Eu gosto das horas escancaradas na calada da noite, vinho tinto me deixa bravia. E com tudo isso, entretanto, todavia, ficamos lá naquele papo de desvendar quem perdeu e quem ganhou ao longo de acontecimentos passados. Papos mil, ex- namorados, ex- atual futura namorada, vida difícil ou desencanada.
Telefone dói os ouvidos.
E a conversa deve ter ficado para depois de um amanhã qualquer.
Não tenho pressa.
Só me vem o que realmente interessa.
Sou ré confessa.
E meu verbo ?
Presente do indicativo.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Cerol


O mel que escorre em meu lençol – cerol.
Eu arranho as ante-salas do seu protagonismo indecente. Eu rasgo em mil retalhos minhas vontades etéreas e coso a colcha que você se deitará. Os ruídos que te perturba o sono, sou eu a te chamar. Nas horas pálidas em que grito seu nome e você não está, cama leoa sou. Reviro a metrópole, finco o salto no peito de quem eu quiser, não diga novamente que sou doce, eu amargo ao entardecer, e lúbrica escorro pela noite, sem relógio nem órbita.
Sei que um dia há de vingar o cacto que plantei pra te agradar, e nesse dia estaremos sós.
Você e suas escolhas. Eu e meus nós.
Não se descuide querido, há muito cerol no meu lençol, e você bem sabe. Eu sei como usar.
Imagem : Google images

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A memória também me falha por compulsão




Você pode me pegar pela cintura, apertar com força, me beijar a boca. Mas eu nego.Embora não pareça nada disso, tenho certo pé na curva do compromisso. Da última vez voltei para buscar meu par de brincos que esqueci em cima da pia da cozinha, resolvi preparar o jantar, e comer sozinha. As minhas saias se enroscaram no zíper da sua calça de propósito, mas não venha me dizer que não percebeu quando seu olhar grudou no meu naquela tarde exaustiva. Entendo, você me acha compulsiva. Tenho compulsão por viver, apenas queria te mostrar o outro lado do muro do colégio, ousadias e sacrilégios, um bom dia com sabor de rock in roll. The wall, era tudo que eu tinha para te dar naquele dia.Você ignorou minhas pernas, meus olhos, minha boca. E se foi. Eu, atrapalhadamente sem chão, pisei firme, quebrei o DVD. Roger Waters que se foda.



E você...



Quem era você mesmo?




imagem colhida no google. J. Lopes

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Negue! e acenda uma vela*


Não me entenda mal, eu não sou volúvel, mas você tem que entender que minhas ânsias precisam ser acompanhadas. Já viu um dueto em que um dos músicos não toca no mesmo tempo da música e do parceiro?
Pois é baby, não existe, ai seria solo.
Você tem que aprender a me alinhavar primeiro, compreendo que não é tarefa simples, os meus pontos falham quando a agulha não está na medida, eu entorto e me espalho pelo chão do atelier. Sou escorregadia, é a natureza do tecido escolhido. Não me culpe, eles fizeram tudo por conta própria.
Eu segurei na sua gola de independência nata com força e tentei explicar, mas você sempre diz que sabe das escolhas que deve fazer e que lida muito bem com remendos de infernos que brotam no decorrer das necessidades da alma. Quando disse que sua alma é pequena, reiterou dizendo que quem afirma sempre nega algo.
Eu nego as voracidades não permitidas, as infelicidades escolhidas.
Sei dos rasgos nas suas fibras, que usar um tear antigo parece mais seguro.
Então me desalinhave de vez, jogue o tecido em água corrente, acenda uma vela, e fique de espreita na sua janela.
Eu sempre volto em forma de tempestade inesperada. E esse desejo será sua última negação.